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O castelense que foi até Belém do Pará de bicicleta em 18 dias
Desde pequeno acostumado a andar de bicicleta, Chico só fazia suas viagens e mandados de seus pais na sua inseparável Monark Olé 70.
João Pedro Cardoso CASTELO DO PIAUI - PI
Postada em 11/10/2019 ás 14h06 - atualizada em 11/10/2019 ás 14h27
O castelense que foi até Belém do Pará de bicicleta em 18 dias

O nome de nosso personagem dessa saga real é Francisco José da Silva "Chico Boa Vista" nascido na Fazenda Santa Teresa, próximo ao povoado Açude Mão Cortada na zona rural de Castelo do Piauí.


Desde pequeno acostumado a andar de bicicleta, Chico só fazia suas viagens e mandados de seus pais na sua inseparável Monark Olé 70.


Conversamos com Chico Boa Vista sobre o desafio de pedalar por muitos quilômetros de Castelo do Piauí à Belém do Pará. A saga foi realizada no ano de 1985 quando completou o percurso em 18 dias até a capital paraense.


Antecedentes da longa viagem 


Com o preparo físico em dia e à experiência de andar por nossa região, veio à vontade de andar por distâncias maiores. Nesse momento o Piauí já era muito conhecido do castelense que resolveu a se aventurar por outros estados.


Sua primeira viagem longa foi para o Maranhão onde passou por muitas cidades dentre elas, Lago da Pedra, Cariri, Porção de Pedra, Pedreiras, Igarapé Grande, Lago do Rodrigo, Lago do Junco, Paulo Ramos, Vitorino Freire, Maracaçumé, Olho D Água das Cunhãs dentre outras,  todas elas passando à trabalho em  algumas fazendas da região. 


Voltando à Castelo do Piauí e depois de passar um tempo com seus familiares, o destemido viajante decide voltar a se aventurar, desta vez à ideia era a de ir até Belém do Pará com sua magrela.


A viagem à Belém e o encontro inesperado com um castelense em Maracaçumé 


Para não deixar sua família preocupada, Chico não falava de seus planos, primeiro para a sua segurança e segundo porque muitos não iriam acreditar em tamanha façanha.


Quando o Sol timidamente apresentava seus primeiros raios ao nascer do dia o jovem já havia partido em busca de seu destino montado na sua Olé 70. O almoço foi em Campo Maior e quando o Sol já declinava no horizonte e a luz era pouca e suave era chegada à hora do pernoite para o descanso que sempre acontecia nos postos de combustível ou nas pousadas que ficavam nas margens da estrada.


O ano era o de 1985 e a longa porém prazerosa viagem durou cerca de 18 dias até à chegada na capital paraense. Pelo caminho foram muitas histórias que se fôssemos contar aqui não caberiam nesta pequena narrativa. Bebidas, aventuras e muitas outras.


Uma delas me chamou à atenção pelo encontro inesperado com meu pai Antonio Augusto Vasconcelos "Antonino Digola" de saudosa memória que era caminhoneiro e por coincidência do destino encontrou Chico Boa Vista com sua bicicleta e uma pequena bagagem em um posto de gasolina da cidade maranhense de Maracaçumé. 


Brincalhão meu pai quando o viu foi logo lhe perguntando. "Rapaz o que é que você faz aqui", com os dois rindo em seguida. Chico respondeu que estava indo até Belém e de lá ir de navio até Manaus no Amazonas. Papai ainda lhe ofereu carona de golta ao Piaui na Mercedes 1519 de propriedade de seu patrão Florentino Cardoso (in memorian) mas Chico era corajoso e não desistiu do seu sonho.


Paralelo ao pedal e como forma de tirar um sustento, Chico que é artesão, vendia anéis e chaveiros de tucum, além de couro de guaxinim que segundo os maus velhos serve para tirar ou espantar o quebranto das crianças, eram artigos bem procurados na época.


Chegando em Belém e depois de uns dias de decanso e de conhecer o Mercado do Ver o Peso, o piauiense foi para Manaus onde trabalhou por alguns anos. Depois Chico que era destemido se misturou aos índios da Amazônia e posteriormente foi trabalhar nos garimpos de Roraima. 


Passando mais de 20 anos longe de sua terra natal, Chico Boa Vista resolve voltar para casa. Você deve está se perguntando se também de bicicleta. 


Não dessa vez além dos navios pela região Norte do Brasil até Belém do Pará e de lá até sua casa veio de ônibus. E a bicicleta? Trouxe desmontada dentro das gavetas dos ônibus.


Hoje Chico Boa Vista está aposentado e reside em Castelo do Piauí, ainda fazendo artesanato mas só como hobby como forma de ajudar a entreter o tempo.


Texto e foto: Augusto Júnior Vasconcelos.

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